Depoimentos de ex-voluntárias na África do Sul

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Voluntariado na África do Sul em grupo

Em Janeiro de 2017, três amigas, Carmela, Malú e Júlia, resolveram ir juntas realizar o voluntariado na África do Sul em uma comunidade bastante carente cujo nome é Masiphumelele. Essa comunidade é composta majoritariamente por ex refugiados de outras regiões da África e tem várias creches onde nossos voluntários auxiliam na manutenção, dia-a-dia e principalmente dando amor e atenção para as crianças (para saber mais sobre esse projeto, clique aqui). Ao final do programa, as nossas voluntárias escreveram sobre como foi as experiências delas com a Exchange do Bem.

A Carmela contou mais sobre como foi sua ligação marcante com o pequeno Inam durante seu voluntariado na África do Sul:

“Esse é o Inam. Quando cheguei no projeto tivemos uma ligação logo de cara. Uma voluntária que passou 10 semanas em Masi me disse que eu realmente tive muita sorte, porque o Inam nunca ficava muito com os voluntários, então ele realmente deveria gostar muito de mim. Eu não entendi o porquê daquilo. Ele pouco falava. E eu, com medo do meu inglês ruim, muito menos.

Pensei que não pudesse ter nada de tão importante a oferecer, a ponto de ser especial pra ele. Ao longo dos dias fui percebendo que o que eu e ele menos precisávamos era conversar. Chegava no Ubuntu e procurava por ele em meio aquela correria de crianças. Quando encontrava, não esperava um minuto pra encher ele de beijo e muito abraço. Quando ele demorava a chegar no projeto eu ficava ansiosa, ia até a rua de tempo em tempo e olhava para os lados. Quando ele aparecia, eu sorria.

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Eu realmente ficava muito feliz. Aprendi demais com o Inam. Agora eu sei que pra sentir não é preciso palavras, inclusive, elas podem ser muito desnecessárias. O significado de querer bem, de gostar, transcende. Toda semana novos voluntários chegam e outros vão embora. Eu não sei por quanto tempo ele vai lembrar de mim. Eu nunca vou esquecer dele. Sou eternamente grata pelo presente que recebi, que foi o carinho dessa criança maravilhosa. Eu tenho o Inam no meu coração, na minha mente e nas minhas intenções de que as melhores coisas do mundo aconteçam pra ele.”

A foto da Carmela e do Inam (primeira foto do album abaixo) não deixa dúvidas sobre a linda ligação que surgiu entre eles.

Já a Malú escreveu no seu último dia do projeto sobre a importância do trabalho desenvolvido pela Mama Charlotte

“Hoje é meu último dia por aqui. E essa foto pode ser capaz de traduzir muito do que esse tempo me ensinou. Essa é a Mama Charlotte, uma africana guerreira que toma conta da maioria dos projetos da comunidade de Masiphumelele. O que ela tem de importante? Aquilo que todas as crianças também tem: o carinho, o cuidado, a sinceridade no olhar e a esperança de terem uma vida melhor a cada dia.

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Quando me perguntam como essa experiência foi e o que eu aprendi com ela, me faltam palavras para explicar, mas sobram sorrisos. Porque aqui eu descobri que viver em paz e com amor é muito mais rico do que ter muito dinheiro. Descobri que se doar a crianças como essas é uma das coisas mais gratificantes da vida. Descobri que fazer um deles sorrir, me faz sorrir mil vezes mais. Descobri que vivemos interligados e que temos muito mais do que apenas a igualdade racial em comum, porque enquanto chegamos com o objetivo de ajudar, eles já nos ajudaram apenas nos mostrando o outro lado da vida, uma realidade que todos um dia deveriam conhecer.

Obrigada Exchange do Bem, obrigada Masiphumelele, obrigada South Africa. I hope to be back one day.”

Por fim, a Júlia escreveu como essa experiência de voluntariado na África do Sul foi marcante na vida dela:

“Fazia dias que eu não ia nesse projeto, por estar ajudando outro. Entramos na creche para o último dia. Que já era difícil por natureza. E ela, com a naturalidade de uma criança, me olhou e falou: hi teacher Júlia. Os olhos encheram de água. Eu nunca pensei que ela fosse lembrar meu nome. Muito menos que um oi fosse mexer tanto comigo.

Ainda não encontrei a palavra certa para descrever essa viagem. E talvez eu nunca vá encontrar. Todas as crianças tem um brilho no olhar que reflete algo muito puro. Algo que mexe com a alma e faz tocar o mais fundo dos sentimentos. Lições de vida vem dos lugares menos esperados. Durante duas semanas vi coisas que meus olhos não vêem sempre. Pra não dizer quase nunca.

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Aprendi a dividir, a compartilhar e a se conectar. Aprendi que não custa eu sair do conforto da minha cama para ajudar pessoas que nem cama têm. Na verdade, custa sim: milhares de abraços, diversos sorrisos e centenas de olhares que falam mais que todas as palavras ditas em tantos idiomas diferentes.

Se esse intercâmbio me mudou? Não tenho dúvidas. Ele foi o mais curto e o com maior impacto. As crianças ali tocaram meu coração, e deixá-las no último dia me deixaram com lágrimas nos olhos o dia inteiro. Se cada criança aprendeu comigo um milésimo do que aprendi com elas, já fico feliz. Foi uma experiência que muito se assemelha a uma mudança de vida. E uma mudança de vida que todos deveriam ter.”

E agora, mais fotos das meninas com a criançada durante o voluntariado na África do Sul

Projeto escolhido: Heart for orphans – Noordhoek