Como descobrir seu propósito de vida e na carreira

. .

Você já encontrou seu propósito de vida e de carreira?

Eu nunca soube o que fazer, sempre fui a pessoa considerada perdida. Enquanto meu irmão com 5 anos falava que queria ser médico, eu, aos 25 anos, ainda procurava um propósito para minha vida e minha carreira.

Para começarmos, você sabe o que é propósito de vida?

Em resumo, propósito é saber aonde você quer chegar e usar isso como energia para te mover. É entender aonde você está, como isso impacta a sua vida e a de todos ao seu redor.

Ele varia de acordo com seus valores e principalmente experiências que você tem na sua vida. Ele não é estático, ele muda de acordo com o conhecimento que vamos adquirindo na vida. E está tudo bem mudar.

Como eu encontrei o meu propósito de vida

O que fez eu encontrar o meu propósito foi uma viagem de intercâmbio voluntário que fiz em 2013 para o Nepal. Sempre falo que ela foi o divisor de águas da minha vida, mas não é necessário viajar para tão longe para encontrar o seu.

Para vocês entenderem como essa viagem me transformou, vou contar primeiro por que eu era taxado de perdido.

Adolescência

Eu sempre tive hobbies bem diversos. No tempo de escola, lutei judô̂ por mais de três anos e tenho mais de 20 medalhas no esporte. Também jogava vôlei e tenho outras tantas medalhas na categoria. Pensei em ser educador físico.

Posteriormente, comecei a me interessar por arqueologia e história, algo que gosto até hoje. Pensei em ser arqueólogo ou historiador. Na época do cursinho, fazia prova de matemática de vestibular porque gostava. Só estudava quase matemática e história. Pensei em ser professor de matemática.

Faculdade

Depois, fiz vestibular para hotelaria porque achei que isso pudesse me ajudar a viajar, algo que amo, mas nessa época eu nunca tinha feito uma viagem de avião. Indeciso, fiz vestibular também na UFRGS para Administração. Não pensei em nada, simplesmente não sabia o que fazer mesmo. Passei e me matriculei.

No início da faculdade, comecei a me interessar pelo mercado de ações. Ganhei um prêmio nacional na área com apenas 19 anos e competindo com mais de 100 mil pessoas. Achei que eu tinha talento e pensei em trabalhar na área.

Ainda na faculdade, odiei o primeiro ano. Igualmente, o segundo. Queria mudar de curso. Comecei a fazer teatro em paralelo. Fiz peça de teatro, curta metragem e achei que eu tinha encontrado meu propósito de vida e de carreira. Por mais que eu estava adorando, deu preguiça de decorar os textos. Logo, desisti de mudar de curso e continuei na administração e no meu emprego no setor financeiro.

Viagens

Sem vontade de fazer teatro, não gostando da faculdade e nada feliz no trabalho no setor financeiro, comecei a procurar editais na faculdade para fazer um intercâmbio acadêmico. Depois de muitas tentativas, passei em um edital para estudar um ano na França. Essa foi minha válvula de escape para eu fugir da minha faculdade e ter um bom argumento para pedir demissão.

Na França, estudava em uma universidade que tinha 43 nacionalidades diferentes e morava em uma residência estudantil com 50 pessoas e que tinha no mínimo 15 nacionalidades dividindo a mesma cozinha. Essa experiência fez eu perceber como amava essa troca cultural.

Além disso, a experiência na França fez eu perceber que eu gostava de administração. O que eu não gostava era da forma sobretudo teórica que minha faculdade ensinava. Na França, era muito mais prático – e eu aprendo mais assim.

Terminando meus estudos na França, eu ainda tinha 5 semanas antes do meu voo de volta para o Brasil. Como nunca tinha ido para Ásia e as passagens saindo da Europa são mais baratas do que saindo do Brasil, decidi ir para o Nepal, um dos países menos desenvolvidos do continente como voluntário.

Experiência no Nepal

Por lá, trabalhei em uma escola rural e morei em um orfanato com outras 34 crianças que mudaram a minha vida. Esse texto ficaria gigante com tudo o que eu aprendi durante essa experiência, mas eu sempre ressalto duas coisas: aprendi a reclamar menos e a valorizar mais tudo o que tenho.

Esse tempo no Nepal serviu muito de reflexão para mim também. Eu estava lá me doando ao máximo, de maneira genuína, não queria nada em troca. E aqui escrevo o velho clichê que mesmo não querendo nada em troca, eu ganhei muito mais com essa experiência. Surpreendentemente, essa viagem me transformou como pessoa.

No meu último dia do Nepal, eu escrevi um texto que terminava assim: 

Faltariam palavras para eu descrever em detalhes a experiência que tive. Hoje eu deixo Nepal com um sentimento de missão cumprida, porém parte do meu coração fica aqui pAra sempre. Beijos, abraços, músicas, danças, desenhos, faxinas, aulas, temas de casa, momentos de segurar o choro. Um mês sem usar talheres e sem eletricidade todo o tempo. Um mês que me ensinou a não desistir de um futuro melhor – isso tem que ser melhor.

Descobri o meu propósito de vida

Ao voltar para o Brasil, certamente precisava de um emprego. Assim, voltei a trabalhar no setor financeiro, que era o que eu sabia fazer.

Porém, logo percebi que eu tinha mudado e que meu propósito era trabalhar com pessoas para retribuir os privilégios que tive na vida que foram a cama quentinha, comida na mesa e acesso à informação.

Antes de tudo, pensei foi trabalhar na ONU. Tentei várias vagas, mas só recebia e-mail automático informando que não fui selecionado.

Na época, pensava também sempre nas crianças que morei no Nepal. Queria ajudá-las e se eu não conseguisse enviar mais pessoas para o Nepal, minha ajuda teria sido em vão. Era necessário que tivesse continuidade no envio de voluntários.

Início da Exchange do Bem

Ao passo que não conseguia nenhuma vaga na área, decidi empreender. Fundei a Exchange do Bem, uma empresa social com o propósito de fomentar o voluntariado, conectando voluntários com diversos projetos sociais ao redor do mundo.

Enfim, a pessoa perdida encontrou o seu propósito e hoje estou completamente realizado com meu trabalho. Percebo também como todas as vivências que eu tive foram fundamentais para eu chegar aonde estou hoje.

O judô me ensinou a cair e levantar. O vôlei me ensinou como cada jogador é importante. A história me ajudou a entender melhor os países que ajudamos. A matemática melhorou meu raciocínio lógico. O teatro fez eu perder um pouco a timidez e melhorar a comunicação. A experiência na França fez eu entender melhor as diferentes culturas. E minha vivência no setor financeiro me ensinou como tornar a empresa sustentável.

intercâmbio voluntário e propósito de vida

Mas como encontrar o seu propósito de vida?

Apesar de não existir uma fórmula mágica, tenho algumas dicas que podem ser úteis com base na minha experiência para você encontrar o seu propósito de vida e de carreira.

O que faz você feliz

Primeiramente, pense que você não precisa mais de dinheiro para pagar as contas. Você tem direito a tudo que deseja. O que você faria? O que faz você feliz?

No meu caso, se eu não precisasse de dinheiro, eu sairia viajando o mundo, ajudando as pessoas e conhecendo novas culturas. E veja só o que a Exchange do Bem faz? Conecta voluntários com projetos sociais pelo mundo. É exatamente tudo que amo!

Por eliminação

Outra dica para descobrir seu propósito de vida é por eliminação. Sei que isso é um privilégio de poucos, mas se você o tem, por que não experimentar coisas novas? Fazer teatro, trabalhar em outra área, praticar diferentes esportes. Eu confesso que só tive certeza de que não queria mais trabalhar no setor financeiro logo que mudei de área e não estava realizado ainda.

Mas eu preciso deixar tudo para trás para tentar algo novo? Não!

Você pode começar essa mudança fazendo voluntariado em uma ONG no seu tempo livre, tem projetos que aceitam poucas horas na semana. Assim, além de ajudar, você também descobre se realmente gostaria de mudar de área.

Busque Inspiração

Em terceiro lugar, busque inspiração. Eu tenho duas: meu pai e o Adam Braun.

O meu pai porque me ensinou a nunca desistir. Minha família tem origem humilde, meu pai já fez de tudo. Em resumo, vendeu cachaça em boteco, depois virou marceneiro. Com o aprendizado, abriu sua própria marcenaria, mas quebrou. Na marcenaria aprendeu a fazer móveis e abriu sua loja para vender os móveis, mas também quebrou. Já com dois filhos pequenos, virou funcionário de uma transportadora que também quebrou. Sem dinheiro, mas com o aprendizado na área de transportes, nos levou até a fronteira da Argentina e começou a conectar os caminhoneiros com as empresas que tinham carga. Essa última empresa deu certo e tem quase 30 anos.

O Adam Braun porque era um ex-consultor americano que após um período sabático ajudando uma ONG, retornou a seu emprego antigo e não se sentia mais realizado. Com isso, ele fundou a Pencils of Promise que hoje já construiu mais de 300 escolas no mundo. Eu me identifiquei muito com a história dele. Por isso, ele foi uma das minhas inspirações para eu sair do meu emprego anterior e fundar a Exchange do Bem. 

Qual o seu sonho?

Sempre sonhei em impactar positivamente a educação de milhares de crianças principalmente no Brasil, mesmo quando eu estava envolvido com meus números no setor financeiro. Cheguei perto desse sonho ao contribuir para uma construção na creche no Peru. Contudo, ainda tenho um caminho longo a percorrer para tornar ele realidade.

Eu sei que eu vou. Em algum momento da minha vida, construirei uma escola em uma região menos desenvolvida no Brasil e centenas de estudantes terão o mesmo acesso à informação que eu tive e que me possibilitou chegar até aqui.

Ao refletir sobre o meu sonho, eu percebi que trabalhando no setor financeiro eu estaria mais longe de alcançá-lo. Não digo no sentido no sentido financeiro, pois nesse lado seria mais fácil, mas eu não estaria levantando todos os dias para tornar o meu sonho realidade. 

Portanto, meu sonho virou meu propósito de vida e de carreira também.

Faça voluntariado

Ajudar o próximo pode te ajudar a te conhecer melhor. Ao se colocar em situações que você não se imaginava, você descobrirá mais fortalezas e fraquezas que você tem.

Isso acontece principalmente em viagens. Ao viajar como voluntário, você sairá totalmente da zona de conforto e conhecerá sobretudo realidades bem diferentes da sua. E posso garantir a vocês que estar em uma realidade diferente é um ótimo convite para uma reflexão sobre nossas escolhas. Por causa de momentos de reflexão e a atuação no voluntariado, você enxerga novos papeis que pode exercer em uma sociedade e descobre o seu papel como agente de transformação

Além disso, ao ajudar de forma genuína, você está se entregando totalmente ao próximo. Entender as razões que te movem a fazer isso pode ser uma ótima maneira para descobrir o seu propósito.

É preciso viajar para encontrar o meu propósito de vida?

A reposta é não.

Porém, para quem tem oportunidade, viajar como voluntário com certeza te ajudará a descobrir o seu propósito de vida.

Para começar nessa jornada, um dos primeiros passos é entender o melhor país para o seu perfil. Por isso, separei para você um quiz da Exchange do Bem para te ajudar a definir os 3 melhores países para você.

quiz para descobrir propósito de vida